Retrospectiva: 2013 para Felipe
Aos amigos e familiares,
2013 foi um ano louco para mim. Esses dias tive a ideia de rever os meus últimos doze meses na forma de um texto aberto para quem quisesse ler, e não consegui mais parar de pensar nisso. Vai aí então uma retrospectiva que duvido que alguém lerá até o final (é legal de escrever isso porque fica soando como se fosse um desafio), mas vamos lá.
Semanas atrás, ouvi em uma noite barulhenta no Barbaran que já fazia três anos desde que 2013 tinha começado. Engraçado como isso me fez muito sentido, e ao mesmo tempo não fez sentido nenhum. Por um lado, fez muito sentido, porque o ano realmente demorou. Entrei no sétimo período do curso de jornalismo como quem não aguentava mais pisar naquela faculdade. Com um emprego já garantido na área que eu queria, ir à faculdade por mais um ano e me formar acabava não parecendo exatamente uma necessidade. É claro que era uma necessidade, claro que eu precisava do diploma, mas nesse caso isso parecia muito mais uma obrigação do que um desejo autêntico, então o desânimo transbordava aos borbotões. E ainda havia o “estímulo” de que eu teria todo um TCC a fazer durante 2013. A sensação que rolava era algo muito parecido com o que senti no começo do ano em que fui prestar vestibular: à frente, doze meses cansativos e exigentes, e alguma incerteza depois disso. No meio, um inverno gelado, escuro e sacana, como é o caso dos invernos de Curitiba.
Por outro lado, 2013 passou rapidinho. De repente pisquei e estou aqui, formado, com um TCC entregue, com um ano e quatro meses no meu primeiro emprego e um monte de experiências vividas. Mas voltemos ao angustiante começo de ano: janeiro deve ter sido algo como um último respiro de alívio e conforto frente à correria que eu imaginava que viria a seguir. Pouco lembro desse mês. Já tinha decidido fazer um livro-reportagem como TCC e sabia que isso daria bastante trabalho. Na verdade, no final de 2012 eu já tinha escolhido fazer como trabalho de conclusão algo que fosse bem mais simples de fazer, mas quando contei para uma professora que iria fazer algo mais tranquilo, ela respondeu com um desapontado “tá bom, coração, vai lá fazer um programa de rádio” tão lamentoso que me soou como um desafio. No dia seguinte eu já tinha desistido do programa de rádio e tinha voltado à ideia do livro – embora em um projeto bem menos ambicioso do que o tópico inicial (mapear e contar os principais acontecimentos do cenário indie rock curitibano nos últimos dez anos): o plano agora era escrever um livro sobre pessoas que viviam profissionalmente de música. Não necessariamente como músicos, instrumentistas, mas sim nas outras profissões que a área permite: técnico de som, roadie, produtor de eventos, compositor de jingles, professor de música, por aí vai. Exatamente um projeto de TCC: você muito provavelmente não compraria um livro desses na prateleira de uma livraria se o autor não fosse seu conhecido.
Mas isso viria depois. Antes disso tinha outra coisa: a festa de aniversário do Defenestrando.

Em fevereiro, meu blog completou oito anos de vida, e a cada ano me surpreendo sempre com o fato de ele ainda não ter acabado. Sabia que nesse ano ele ficaria largado por conta de emprego e TCC, então quis fazer uma festa meio que de despedida. (Gosto da palavra “Farewell!”). Isso não foi dito nem estava escrito em lugar nenhum, mas me dei ao trabalho de organizar uma festa para o Defenestrando porque sabia que nos próximos meses não poderia me dedicar a ele. Era um “nos vemos em breve” para esse projeto que simplesmente ocupa um espaço enorme da minha vida desde que tenho 14 anos de idade. Então, assim como quem não quer nada, joguei o convite para o Audac (que é essa banda simplesmente incrível e cujas músicas me capturam de algum jeito meio irresistíviel) tocar durante a festa no Wonka. Para a minha surpresa, as meninas adoraram o convite e toparam participar da parada.
Não era só isso. Tinha que ter mais uma apresentação do Cavaquindie (pérolas do indie rock em versão pagodinho). Então chamei o Chequim e o Ribeirete para alguns ensaios às pressas. No final, o resultado ainda estava fraco, mas fortemente divertido, então estava valendo. E ainda tinha mais: a Noite Defenestrada seria o lançamento da edição especial do Jornal Relevo, essa empreitada foda do Zanella, com quem tive a sorte de dividir a sala de aula desde que passei a estudar de noite. Propus a ele de fazermos uma edição só com textos de não-ficção sobre música, com autores que eu convidaria. Ele topou, eu convidei alguns conhecedores do meio musical para escrever sobre o assunto e a parada foi diagramada. O melhor foi quando ele chegou, ao final de uma aula, e perguntou: “Bora lá na gráfica pegar o jornal?” Porra, que emoção ver uma daquelas rotativas enormes rodando centenas e centenas de exemplares do Jornal Relevo com o nomezinho “Defenestrando – especial 8 anos” na capa. Emoção que aumentou ainda mais na volta para casa, quando o grande Zanella se confundiu em uma rua e entramos numa contramão em plena noite de chuva. 2013 já estava louco em fevereiro.

Relevo-Defenestrando na gráfica
A Noite Defenestrada foi um sucesso. A casa encheu, e boatos de que havia uma fila enorme para fora do Wonka. Enquanto tocávamos o Cavaquindie, o técnico de som, que também fazia a luz, sumiu, e ficamos lá tentando fazer música em algo muito próximo do escuro total. Erramos alucinadamente, mas a galera se divertiu bastante, e esse objetivo foi cumprido. Depois, o show do Audac, como haveria de ser, foi sensacional. E no final ficou a emoção de estar comemorando algo tão importante para mim em um evento tão legal (além do “tchau, até logo” em silêncio para o blog).
Março foi o mês de ir ao Lollapalooza. Nunca tinha encarado um festival de grande porte como esse (na verdade, encarei um único dia de SWU em 2010 para ver o Rage Against The Machine), e estava mentalmente preparado para todo o tipo de perrengue que três dias de festival poderiam promover: filas enormes para tudo, lama, empurra-empurra, ficar extremamente longe dos palcos… só não contava com o vento gelado que cortou o Jockey Club de São Paulo na noite de sexta-feira, dia 29, daqueles primeiros dias de outono. Fora isso, a experiência do Lollapalooza como um todo ocorreu incrivelmente bem: vários shows sensacionais começando sempre no horário certo; pouquíssimas filas para comer e comprar cerveja (com alguma malandragem, ia sempre nos horários que havia menos gente nas filas, e nas barracas que eram menos procuradas). Saindo antes do final dos últimos shows do 1º e do 3º dia (The Killers e Pearl Jam, respectivamente), peguei metrôs tranquilíssimos e tive até a sorte de conseguir, em cada um dos três dias, táxis para sair do metrô e chegar à casa do tio Paulo, onde eu estava hospedado. Foi um ótimo festival, com uma porcentagem incrível de coisas dando certo (possíveis cagadas que não se realizavam) que eu mal pude acreditar.
Ah, sim. Pouco menos de duas semanas antes de ir ao Lollapalooza, com os ingressos comprados desde 2012, precisei extrair um siso. Sendo este o primeiro siso retirado e sem saber quanto tempo duraria a recuperação, quase joguei o festival pela janela. Mas o já idoso dentista da família (que suou em bicas durante a cirurgia e que, com cãibras no braço, quase não deu conta da extração) depois falou que a recuperação tinha sido rápida. Ele tirou os pontos na quinta-feira, e na manhã de sexta eu já estava embarcando para São Paulo. (Sim, a extração foi tensa, com o experiente dentista reiterando várias vezes que aquele procedimento não costumava ser tão complicado assim).

Lá no fundo, o Two Door Cinema Club no Lollapalooza
E aí tivemos abril. Enquanto eu começava a engatar as marchas no TCC, tive uma das grandes experiências dessa vida até o momento: aconteceu que uma oportunidade de ir aos X Games Foz do Iguaçu desceu quicando pelas escadas e corredores da GVT. Chegou ao nono andar do prédio onde trabalho e veio parar no canto da direita, nas mãos do incrível Guga Azevedo, que olhou pra mim e falou: “Cara. Vai lá”. A firma era uma das patrocinadoras deste que é o maior evento de esportes radicais do mundo e que iria começar no dia seguinte, e não estava enviando ninguém de Curitiba para lá. Isso sobrou de algum jeito, e fui enviado para lá para cobrir os X Games Foz pelo PMC – um site de MÚSICA.
Tão improvável quanto a ESPN resolver fazer uma edição dos X Games em Foz do Iguaçu com o mesmo peso dos jogos em Los Angeles era o fato de eu estar indo para lá, acompanhar aquilo tudo in loco, cobrindo esportes radicais para um site de música. Sim, os mesmos X Games que eu via na TV quando era criança, brincando no chão da sala enquanto meus irmãos mais velhos assistiam às manobras. Sim, os mesmos skatistas que muito me inspiraram durante a adolescência. Sim, de repente desembarquei no aeroporto de Foz em uma sexta-feira de um céu azul resplandecente e muito calor. Deixei as coisas no hotel e fui ao local das competições, direto para a sala de imprensa onde ingenuamente tomei um chá de cadeira, esperando a tarde toda por uma resposta à solicitação de entrevista com o Luan Oliveira, ou qualquer outro skatista brasileiro disponível. No fim da tarde do outro dia, o máximo que tinha conseguido foram dois minutos de uma conversa ininteligível em inglês com um skatista americano mais novo e muito mais rico do que eu.

Megarrampa
Depois de um dia de sol ardendo na cabeça e correria de cima para baixo (tentando em vão por qualquer simples entrevista) no enorme parque de competições montado ao lado do aeroporto, sentei exausto no sofá da sala de imprensa vazia, sem esperanças. De repente, Sandro Dias, o Mineirinho, seis vezes campeão mundial, aparece por uma portinha lateral, acompanhado de pai, mãe, esposa e filhinho de um ano. Enquanto eu esperava ele responder às perguntas de um ou outro jornalista que estava por ali, tive um tempo de conversar com a mãe dele sobre como é, afinal, ser mãe de um skatista como esses. Depois a entrevista rolou tranquilamente, Mineirinho foi ultra atencioso, e, com uma boa entrevista em mãos, respirei aliviado pelo bom material conseguido. Voltei para hotel e, no dia seguinte, domingo, o último de X Games, vi o Pedro Barros destruir no Skate Park, levar a torcida à extrema loucura e ganhar a medalha de ouro com grande facilidade. Decolei de volta para Curitiba na madrugada de segunda-feira sem entender ainda exatamente o que tinha acontecido naqueles três dias anteriores.

Depois, o bicho começou a pegar. Conforme o inverno ia se aproximando, a dedicação exigida pelo TCC aumentava. Os professores das outras matérias não davam muito mole pelo fato de estarmos efetivamente fazendo um TCC inteiro, e ainda havia as oito horas de trabalho rotineiras. Para conseguir protocolar a parte teórica do projeto a tempo, comecei a ter que acordar às cinco da manhã ou antes para ler ou escrever, já que não conseguia ficar acordado na frente do computador depois que chegava da faculdade em casa às onze da noite. Foram alguns almoços em que comi qualquer coisa e fui me refugiar na cantina da firma ou na praça de alimentação do shopping para conseguir ler umas duas ou três páginas.
Em maio, fiz minha festinha de aniversário para os amigos e chegados no Barbaran. Fazer aniversário é sempre uma diversão e uma alegria, e ver que as pessoas lembram de você e vão à sua festa porque gostam de você é uma coisa de um teor que faz o coração ficar aquecido em meio ao frio da cidade. Logo da festinha no Barbaran teve show do Audac no 92º, e acho que não poderia ter existido uma maneira melhor de comemorar a data.
Em junho… ah, em junho rolaram as manifestações de junho. Ao mesmo tempo em que estava empolgado para ver no que dava a Copa das Confederações, fiquei feliz em ver alguns focos de povo brasileiro mostrando sua indignação com as coisas todas. Óbvio, fiquei um pouco surpreso com o tamanho que a coisa tomava, e incomodado com a repreensão aos protestos de SP. No dia 17 de junho (aquela noite em que o pessoal subiu em cima do telhado do Congresso em Brasília), saí do trabalho direto para a rua, encontrei com a massa, fiz parte dela, gritei e bradei o hino, mas desde o começo estranhei os jovens no meio da passeata rindo, se divertindo e mexendo o tempo todo no celular, como se estivessem no meio de uma outra diversão qualquer, como um show ou em um estádio. Mas a empolgação permaneceu, e no dia seguinte fui à banca e comprei três jornais diferentes para ter aquele momento histórico guardado para mim.

Praça Santos Andrade tomada de gente
Mas, conforme as coisas caminharam e a massa amorfa sem uma ideologia muito bem definida começou a dar luz a grupos extremistas e cada vez mais estranhos, comecei a ficar cada vez mais assustado, deixando transparecer meu lado mais paranoico a quem me visse. Nesses dias, fiquei tão receoso de que tudo desse errado (a história aponta: momentos de instabilidade e insatisfação popular por vezes dão pretextos para reações/repressões extremas) que devo ter ficado extremamente chato, de modo que apenas tenho a agradecer a quem convive comigo diariamente por ter tido a paciência de lidar comigo. Lembro de, naquela sexta-feira em que destruíram o Centro Cívico, ter voltado do trabalho correndo para casa. Estava chovendo pra caramba e ridiculamente frio, e a rua que subo para voltar para casa estava tomada de gente. Desviei, peguei outra rua porque estava com medo da massa, cheguei em casa encharcado, acompanhei os protestos pela ÓTV e o Victor que teve que aguentar o irmãozinho paranoico reclamando a noite toda. Da janela de casa, vi três levas diferentes de manifestantes descendo a Brigadeiro Franco, com gritos de guerra e um rancor violento que em nada lembravam o clima do protesto ao qual eu tinha ido poucos dias antes. Não estava entendendo nada. Mas fui me acalmando conforme o clima do país foi acalmando também.
…Mas não por muito tempo. Quando o segundo semestre começou, mergulhei de vez no TCC. Corri para marcar as entrevistas com os personagens do meu livro: fui à aconchegante casa da produtora Bina, passei horas de uma noite quase caindo de sono pelo cansaço enquanto conversava por Skype com o roadie/músico/produtor Wellington (a conversa acabou não entrando no livro), conheci a escolinha Alecrim Dourado, visitei a casa do colecionador de discos Horácio, passei uma tarde no silencioso Nico’s Studio conversando com o Nico, aprendi um monte com a musicoterapeuta Mariangela, fui até o Bacacheri em uma noite gelada e chuvosa para ver o ensaio de uma banda dessas de baile (também não entrou no livro), conheci melhor meu colega de trabalho Cassim, descobri quem era o DJ Animal e tive a honra de bater um papinho rápido mas instrutivo com o português Osvaldo, maestro da Orquestra Sinfônica do Paraná.

Um dos cômodos da casa de Horácio
Vendo que, ao trabalhar oito horas por dia e ainda tendo que ir para a aula à noite, eu nunca conseguiria terminar de escrever o livro a tempo, tirei alguns dias de férias da firma para me concentrar na redação. Nesse período, aproveitei para conhecer a Aldeia Coworking e me instalar por lá. Deu certo e consegui produzir bastante, mas ainda não tinha sido o suficiente para terminar o livro. Voltei à GVT após as férias, mas, poucos dias depois, vendo que o prazo de entrega estava cada vez mais próximo e que o livro não avançava na mesma velocidade, comecei a ficar ansioso demais outra vez. Meu chefe notou isso e, provavelmente percebendo que a qualidade do meu trabalho tinha caído, sugeriu que eu tirasse o resto das férias logo. De início, fiquei assustado com o que tinha parecido uma daquelas ameaças trabalhistas que a gente sempre ouve falar, mas comecei a pensar melhor e, no dia seguinte, já achava que a ideia fazia sentido. Tirei o resto das férias, terminei o livro a tempo, entreguei o TCC e percebi que, não fosse as férias sugeridas pelo Great, o livro muito provavelmente não ficaria pronto dentro do prazo. Ao que também tenho apenas a agradecer.

Eis o livro em uma de suas últimas versões
Em outubro, nessas férias citadas aí em cima, fui ao Rio de Janeiro para assistir o show do Tame Impala. Os dois discos dessa banda australiana foram muito importantes para mim ao longo do ano, porque ouvi-los me dava muitas forças para aguentar os dias mais difíceis e complicados: escutar o “Lonerism” ou o “Innerspeaker” fazia com que eu me mantivesse firme (e, nesse processo, consegui entender porque a música gospel é tão importante para tanta gente). Pois, chegado o dia do show, precisava ir para o Rio. A minha passagem de avião era para o mesmo dia do show. Eu chegaria no Santos Dumont por volta das 19h; daria tempo de ir ao apartamento em Copacabana onde estavam meus amigos, encontra-los e chegar umas 22h (o horário previsto para o início) no Circo Voador. Peguei o avião em Curitiba, desci em SP para a conexão e, após a decolagem em Congonhas, o comandante anunciou que o tempo estava fechado em cima do Santos Dumont. “Vish”, pensei, e no meio do voo o comandante anunciou que uma chuva forte caía no Rio e que teria que esperar o tempo abrir. Após voar em círculos por uns trinta minutos, o tempo não abriu e o comandante avisou que pousaríamos no Galeão. Passageiros ficaram irritados nessa hora, e ainda mais irritados cinco minutos depois, quando o comandante avisou que o tempo também estava fechadíssimo no Galeão e que teríamos que voltar para São Paulo e pousar em Congonhas.
Pousamos em Congonhas, e por lá ficamos sem sair do avião durante uma hora ou um pouco menos, sem qualquer informação. “Pronto, perdi o show”, pensei muitas vezes. Depois, finalmente decolamos, e o avião pousou no Santos Dumont por volta das 22h30. Peguei um táxi com um taxista malandro e fui correndo direto pro Circo Voador, com a mochila abarrotada nas costas. Deu tempo! Cinco minutos depois que entrei no Circo lotadíssimo, o show começou. Ufa!

No dia seguinte, uma sexta, passamos o dia tomando mormaço em Ipanema e vimos um show ótimo do Selton no Studio RJ. No sábado, em plena manhã ensolarada de céu azul, fomos no Cristo Redentor e, após duas horas na fila esperando para pegar o bondinho, surpresa! A única nuvem no céu do Rio de Janeiro estava justamente e apenas ao redor do Cristo. Vimos quase nada da belíssima paisagem… mas sem problemas: lá em baixo o Rio continuava lindo, e logo depois disso fui correndo com o Enio para o Maracanã. Conseguimos um ingresso barato em um lugar bom para assistir Fluminense e Ponte Preta jogarem um jogo horrível (e, àquela época, nem dava para imaginar o que os dois times protagonizariam mais tarde em 2013). Foi um bom final de semana.

Cristo nublado
Essa retrospectiva já se alonga; vamos logo aos meados de novembro, em que tive de apresentar a banca do TCC. Receoso da minha dificuldade em articular discursos oralmente (e crente de que provavelmente ficaria muito nervoso na hora), tratei de ensaiar bastante, e fiquei assustado com a dificuldade de condensar um ano de trabalho em 20 minutos de apresentar. Acabou que, no dia, fiquei muito menos ansioso e preocupado do que imaginava, apresentei o trabalho numa boa. Recebi algumas críticas que já esperava, e outras um tanto sem-noção de uma das professoras componentes da banca (bom, eis o karma: não poupei críticas à tal professora durante todo o curso, e, chegado o final da faculdade, ela também não poupou críticas a mim. É a lei do vai-e-volta). No final, tirei nota nove, e não consegui conter a frustração por ter tirado uma nota menor do que colegas de turma que sei que se esforçaram menos que eu em seus trabalhos. Mas era isso, e a faculdade tinha acabado, finalmente.

Eis o livro pronto!
Por fim, em dezembro, organizei mais uma edição da Taça Chico Buarque de Allejo, e de início pensei (junto com os brothers de Defenestrando), que seria uma boa fazer no Dom Corleone e aproveitar a fama do local para dar prestígio ao evento. Marquei a data, mas o bar, embora topando, não mostrou muito interesse no negócio nem muita vontade de cooperar. Meio perdido ainda a respeito do que fazer, tive o insight alucinado de fazer a Taça Allejo no Kikos Bar – um baita dum boteco nas Mercês, com lajotas no chão, paredes brancas, toalhas estampadas nas mesas e sem placa na frente. A fórmula deu certo, embora a produção tenha saído meio nas coxas. Rolou tudo direitinho, embora eu tenha esquecido o Super Nintendo no bar. Voltei lá dois dias depois, e o videogame estava no mesmo cantinho em que eu havia deixado. Que loucura!

Depois disso, dei o ano por encerrado e tive a ideia de fazer essa retrospectiva. Escrever na primeira pessoa é coisa que quase nunca faço, já que não gosto de ser o centro das atenções. Mas senti que gostaria de compartilhar com meus amigos, familiares e pessoas de que gosto um pouco do que foi esse meu ano louco (e muito importante). Ainda mais: esse processo serviu para expurgar de mim o 2013 e abrir-me justamente para o que mais pretendo em 2014: estar aberto às novas experiências, a uma nova vida.
Pois que o novo ano venha!



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